AS POSSIBILIDADES OFERECIDAS PELAS TÉCNICAS DE PROCRIAÇÃO ASSISTIDA: questões biológicas, filosóficas, sociológicas, psicológicas, históricas, antropológicas …

 

 

Ventres reputados estéreis,

terras frias, apesar do fogo e do sangue,

sabemos agora corrigir-vos

com humores sintéticos ou semente poderosa

até a colheita de grãos numerosos…

Entre todos estes grãos em  excesso de ventre,

avaliados pela mão médica,

será preciso escolher o homem a aceitar amanhã,

mas com que idéia aceitável do homem?

(Jacques Testart, 1993: p. 64).

“Nos últimos anos do século anterior começaram a ser apresentadas soluções para a infertilidade (como ‘destino e maldição’,  antigamente) e para a anormalidade de filhos ao nascerem (como ‘desgraça’ ou ‘infortúnio’, quase sempre assim vista), com a procriação medicamente assistida, reduzindo a impossibilidade de os casais terem filhos ou o risco de nascerem crianças com doenças genéticas ou os também denominados problemas congênitos.

Poder ter filhos e “escolher o filho que vai nascer no momento desejado, é um bom corolário para cinquenta séculos de angústias sociais, em que a medicina só tinha os poderes da magia” (TESTART, 1993: p. 112).

Claro é que há cinquanta ou quarenta, e mesmo trinta anos atrás, nós mulheres desse tempo não imaginávamos tal ‘proeza humana’, a não ser aquelas que tinham o privilégio de atuarem nesta pesquisa, bastante restrita às mulheres, ainda, é claro!

Mulheres tinham filhos ou não! Mas, para muitas de nós, isso nem chamava tanto a atenção, e sim que era a ‘cegonha que os trazia, ou ‘nasciam no pé de repolho’, ou ‘por açúcar colocado na janela’, recordando ainda a versão de que nossas mães engoliam uma bala em forma de bonequinho e a partir disso nascia um bebê! Ignorância, estupidez, ingenuidade? Nada disso, prefeitamente normal segundo os padrões da época e do vasto desconhecimento sobre o processo de gravidez e da psicologia humana, sobretudo, a de uma criança para lidar com a questão!

Agora, que nos defrontamos com esta realidade que é tão natural quanto acreditar na ‘cegonha’, estão aí muitas questões, muitas delas as mesmas que existem faz tempo para outros acontecimentos. Citamos uma: o eugenismo! Fala-se que a reprodução asssitida é uma forma de não apenas escapar da infecundidade ou constituir família pouco numerosa, mas de ‘melhorar as crianças’.

Do Cro-Magnon aos nossos dias: Há quarenta mil anos, o nosso irmão do Cro-Magnon já saboerava os conhecimentos que tinha. Cada criança que hoje nasce não é mais perfeita; sabe menos do que esse adulto do início da história. A hominização prossegue e, apesar dos mesmos genes, acrescenta ao homem o que ele inventa: técnica e civilização. Homo sapiens pertence  a esta espécie que aprende; para a melhorar, não é preciso modificá-la, mas sim ensinarlhe mais.”

(Christina Jégou, citado por TESTAR, 1993:68)

 

Temos aí um terreno bastante fértil para quentíssimas discussões.  É uma oportunidade de esclarecermos pontos obscuros, questões éticas, religiosa, falta de conhecimento científico e outros tantos aspectos. Não deixe de participar!

  

 

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