MENSAGEM A UM DESCONHECIDO

                                         Cecília Meireles

 Teu bom pensamento longínquo me emociona.

 Tu, que apenas me leste,

 acreditaste em mim, e me entendeste profundamente.

 

Isso me consola dos que me viram,

 a quem mostrei toda a minha alma,

 e continuaram ignorantes de tudo que sou,

 como se nunca me tivessem encontrado.

 

 Fevereiro, 1956

 

In: Poesia Completa

Dispersos (1918-1964)

 

6 Respostas to “Depoimentos – Faça o seu: Sobre você, seus vazios e inquietudes!”

  1. Vilma said

    INCOMPLETUDE

    Segunda-feira… ontem foi domingo, anteontem foi sábado e eu aqui, buscando não sei o que.. numa ansiedade louca, que não chega ser um desespero, mas uma enorme sensação de incompletude, não de solidão, mas de falta de algo, que não sei identificar o que é. Meus irmãos de fé, se escandalizarão se me lerem e sem pestanejar dirão: seu vazio é espiritual, só Jesus pode prenchê-lo, renda-se a Ele. Juro que já fiz isso. Sou cristã e frequento a igreja, as mensagens bíblicas me servem de conforto, os louvores me elevam aos céus… mas minha incmpletude continua no meu dia-a-dia, e então concluo que esse vácuo é próprio de minha natureza humana feminina, que num eterno movimento pela sobrevivência própria e da prole, exerceu múltiplos papéis, aqueles que lhe são próprios (mãe) e também o que deveria ter sido de outro (pai) e não o foram. Embora pernicioso e me judie, este vácuo me desacomoda e impulsiona para uma eterna e constante busca, por isso vivo a inventar, a inventar a inventar….

    • 40e50 said

      Ontem foi domingo. Meus vazios adormeceram um pouco, porque fiz como você: me pus a inventar! Parece que detestamos a “mesmice”, nós que aprendemos a pensar! E temos que nos “reinventar” também a cada hora, minuto, segundo, nanosegundo … Terrível insaciedade, desconfortável inquietude, desafiantes momentos por ter que suportá-los e superá-los. Não é um niilismo, mas parece um cansaço dos excessos de vida sobre a gente, sobre ter que reconhecer que É MAIS difícil VIVER QUE MORRER, e ter que a cada amanhã tourear uma manada inteira de touros ainda não domados!
      Mas é preciso continuar. Ainda resta-me o espeiritual, Deus, a beleza da natureza para contemplar sempre e todos os dias, que nunca vira banalidade! A banalidade hoje dói muito, a gente não tem para onde escapar, se torna incompreendida, por vezes insuportável e até “persona non grata”.
      Algo como escreve Bruno Cattoni:
      Poema sobre o vazio

      Escrevi um milhão de poemas no tempo-espaço de uma vida
      Sobram seis versos.

      Afiei um milhão de facas nas pedras que se me interpuseram
      Sobra a estrada.

      Matei milhares de animais para matar minha fome
      Sobra um ser de nada.

      Soletrei tantos alfabetos que nem mais me comunico
      Sobra a palavra amor.

      Expulso do tempo, ando com um estrépito de asas no crânio
      Não sei qual delas é o par da alma, nem quando
      Erguer-se-á, pela janela dos olhos, no vento que não enxergo.

      Bom dia, lá vou eu de novo. Não posso ficar quieta. Se não caio no “buraco não negro” do vazio, sem cor! Vou à luta, inventar algo, um dia, o eu de hoje, a alegria de viver hoje…

  2. Vilma said

    LIVRO DOURADO DE MEMÓRIAS…. minha última invenção. É tão nova, tão inédita e já me cansei dela. Uma sensação de absolência, já toma conta de mim!! Ontem planejei, planejei como distribuir os assuntos pelas páginas! Como me custa e me cansa a manuscritura! Depois de me ver mergulhada imersa neste mundo digital, o processo inverteu-se: há bem pouco, rascunhávamos à mão, para depois digitar/datilografar, mesmo nas modernas IBMs da vida. Agora, os rascunhos são primeiramente digitalizados nas nossas modernas máquinas digitais, para depois, serem artisticamente manuscritos! O antigo se transforma em raro – em arte. O processo inverteu-se. A sensação que tenho é de que tudo está virando do lado AVESSO!
    Bom, chega de elocubrações!

  3. Marise said

    Pode ser que essa sensação de obsolescência seja piorada pela fluidez das mudanças, mas, penso, sobretudo, porque como estamos à frente, até as dominamos, criamos um descompasso com as verdades estabelecidas, com os ditos e fazeres comuns e fáceis que estão no nosso entorno, ao ponto de já nem termos com quem e o que conversar. Ficamos numa grande solidão, numa ilha de poucos sobreviventes, e isto ainda não dos deixa sucumbir! Mas, nós que viemos dessas décadas de 40 e 50, ainda vivemos tempos de tantas exigências para sermos mais do que nos pensamos ser, que nos lançamos muito à frente e acostumadas a fazer mil coisas ao mesmo tempo, acabamos driblando o próprio tempo dos outros. Quando estamos voltando, muitos sequer partiram. Isto gera uma instabilidade, um querer isolar-se e até uma certa apatia em relação à coisa bem há pouco criada, ela mesma já tornada sem graça diante de nossa mente tresloucada que se joga à frente como uma lança atirada com muita força. Realmente, está difícil conciliar as coisas feitas com a realização. Mas nascem, já suscitam outras tantas ideías, desejos, necessidades, que ficamos assim, sempre nesseestado de falta de chão. Que tempos são esses, meu Deus, que parecem fugir à própria física quântica?

  4. Vilma said

    O tal LIVRO DOURADO DE MEMÓRIAS, foi lançado no dia 1 de maio de 2010 e já está circulando pelo Brasil à fora, Milford (EUA) e pela capital da Suiça, onde vivem alguns colegas que também foram autores da história. Trata-se da escrita coletiva da História do IBA, instituição de ensino teológico, onde estudamos em regime de internato, na nossa adolescência!
    Tenho andado mais calma nesta última semana, depois do evento em Arapongas, não que eu queira: depois que cheguei, já lancei mais 2 desafios na Comunidade, escrevi a matéria para uma página inteira que será publicada na próxima edição do jornal ALELUIA, além de atender meus alunos, orientar monografias e marcar bancas, e,e,e… sinto-me como uma ‘máquina tresloucada” tentando me segurar, para não sufocar – para não assustar com este turbilhão de idéias que me vêm como enxurrada à cabeça, mas meu físico e os limites impostos pelo tempo que tenho disponíveis não dão conta de concretizá-los. Minha cabeça está sempre muito à frente do meu corpo….

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